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Dom, Fev
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Com indicações aos prêmios Cesgranrio 2017, em 6 categorias (incluindo Melhor Espetáculo e Direção) e ao 17ª Prêmio Cenym 2017, em 4 categorias (incluindo Melhor Atriz), 'Hamlet'  inicia nova temporada no Teatro Sesi, Centro do Rio. O espetáculo reestreia no dia 9 de novembro, com apresentações às quintas e sextas às 19:30h e sábados às 19h, até 9 de dezembro.

Acostumada a processos que resultam na criação de uma dramaturgia própria, a Armazém Companhia de Teatro se volta agora para um outro tipo de processo, onde o que mais interessa é o seu posicionamento sobre a narrativa. Partindo da obra fundamental de Shakespeare, a ideia geral da companhia é encontrar um Hamlet do nosso tempo. Um Hamlet cheio de som e fúria. Não numa atualidade forçada, mas ressaltando aspectos da obra que dialogam com esse coquetel de conflitos contemporâneos que vemos todos os dias jorrando nas grandes cidades do mundo.

Patrocinada pela Petrobras desde 2000, a companhia completa 30 anos de existência neste final de 2017, travando um complexo diálogo criativo com um dos melhores materiais dramatúrgicos da história.

Partindo da obra fundamental de Shakespeare, a ideia geral da companhia é encontrar um Hamlet do nosso tempo
Partindo da obra fundamental de Shakespeare, a ideia geral da companhia é encontrar um Hamlet do nosso tempo

Hamlet é o príncipe da Dinamarca. Seu pai morreu repentinamente de uma doença estranha e sua mãe casou-se com o irmão do falecido marido, na frente de toda a corte, depois de apenas um mês. Hamlet tem visões de seu pai, que afirma que seu irmão o envenenou, e exige que ele se vingue e mate o novo Rei (seu tio e padrasto). Hamlet se finge de louco para esconder seus planos e vai perdendo o controle sobre sua própria realidade no meio deste processo. Ou seja, a invenção teatral do século XVI de um príncipe que fingia loucura e o espírito inflamado do nosso século entraram inevitavelmente em colisão. Já não há mais fingimento. A loucura de Hamlet tornou-se a loucura do mundo. Shakespeare representa a corte real dinamarquesa como um sistema político corrupto que se torna um labirinto esquizofrênico para Hamlet. Assassinato, traição, manipulação e sexualidade são as armas usadas na guerra para preservar o poder. No centro dessa história está Hamlet, um homem desesperadamente preocupado com a natureza da verdade, um homem notável que quer ser mais verdadeiro do que, provavelmente, é possível ser. E que exige do resto do mundo que sejam todos verdadeiros com ele. Mas é possível conhecer a si mesmo integralmente? É possível conhecer integralmente as pessoas a seu redor? Hamlet se fragmenta, nossa época o faz assim, um sujeito destrutivo, atormentado e letal. O diretor Paulo de Moraes acredita que “é importante tratar Shakespeare como se ele fosse um genial dramaturgo recém-descoberto com algumas coisas urgentes a dizer sobre a guerra, sobre a loucura do mundo e sobre nossos líderes políticos modernos.” A tradução ficou a cargo de Maurício Arruda Mendonça, parceiro habitual de Moraes em muitas dramaturgias montadas pela companhia. “Maurício conseguiu uma poesia sem pompa, que comunica sem perder a beleza. E é grande mérito dos atores que essa poesia chegue rasgando, ela é língua, ela é corpo, ela é carne”, comenta Paulo de Moraes. No Hamlet da Armazém Companhia de Teatro, sete atores e atrizes dão vida aos personagens de Shakespeare: Patrícia Selonk (Hamlet), Ricardo Martins (Claudius), Marcos Martins (Polonius/ Coveiro), Lisa Eiras (Ofélia), Jopa Moraes (Laertes/Guildenstern/Ator), Isabel Pacheco (Gertrudes) e Luiz Felipe Leprevost (Horácio/Rosencrantz).

Em outubro a Armazém Companhia de Teatro apresentou A Marca da Água, seu espetáculo anterior, durante o Wuhzen International Theatre Festival 2017, localizado na província de Zhejiang, na China. “Foi uma viagem incrível! Durante uma semana, estivemos do outro lado do mundo, na China, apresentando “A Marca da Água” no Wuzhen International Theatre Festival. Wuzhen é uma cidade de 1.300 anos, quase um lugar cenográfico. Estivemos ao lado de 24 peças da China, Estados Unidos, Alemanha, Rússia, Inglaterra, Lituânia, Suíça, Romênia e Líbano, nesse que hoje é considerado o festival de teatro mais importante da Ásia. Apresentamos ao ar livre. Foi lindo! Ficaram ótimas lembranças e belas imagens.”, comenta o diretor Paulo de Moraes.